Casada, filho de 3 anos, contadora, bem resolvida e feliz.

Minha foto
Espero motivar outras pessoas a emagrecer e ter uma vida mais feliz.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Trabalhamos pra ganhar e gastamos para esquecer o tanto que trabalhamos.


Estou curtindo muito este blog que criei. Apesar dele ter um objetivo específico que é mostrar meu dia a dia no processo de emagrecimento, ele também não deixa de ser um espaço onde eu possa expor meu pensamento e sentimento. Este texto, que vi no face ontem me chamou muito a atenção, e por isso peço licença para compartilhar com meus leitores daqui do blog. Espero que gostem!


ALGUÉM DEVE ESTAR CERTO


Talvez soe funcionalista demais aceitar a analogia de que a sociedade funciona como uma grande máquina na qual somos todos engrenagens, bobinas, parafusos, cartuchos, slots, óleos e placas.

Talvez, mas não mais que talvez. Se olharmos de perto, muitas vezes nos interessa mesmo é a lógica do menor esforço, o jeitinho brasileiro, o conformismo e a resignação. E que venha o primeiro café do dia, porque sem ele o funcionário é zumbi e sua fome é de procrastinação. Mas não há o que temer, toda quarta-feira tem happy hour com chopp em dobro e no fim de semana os restaurantes de comida japonesa oferecem cobertura fotográfica de balada.
Muito disso porque o dinheiro paga o trabalho, e o trabalho paga o dinheiro. Quando mais incautos, sonhar com extratos bancários no vermelho sem saber direito o que sustentamos faz parte. Em dias úteis celebramos o foco, para nos finais de semana mergulharmos na amnésia. Trabalhamos pra ganhar e gastamos para esquecer o tanto que trabalhamos. Tudo reportado diariamente nas redes sociais, claro. Por mais que pareça, não somos escravos desse comportamento.
Em dias úteis celebramos o foco, para nos finais de semana mergulharmos na amnésia. Trabalhamos pra ganhar e gastamos para esquecer o tanto que trabalhamos. Tudo reportado diariamente nas redes sociais, claro
São hábitos que temos e que nos conectam à essência da dita condição humana, que nos ajudam a sentir como se pertencêssemos a um grande emaranhado social de sucesso. Ou pelo menos uma ideia disso, como se o conceito de sucesso fosse absoluto. Coca-cola, glutamato monossódico, memes, cigarros, sertanejo universitário, ressacas, horas extra diárias, madrugadas na agência, pizzarias gospel. É a mentira que se repete mil vezes virando verdade; nua, crua e sensual. Mas alguém deve estar certo nessa história, ou assim esperamos.
Normose
Distraídos e teoricamente muito produtivos, muitas vezes abdicamos do pensamento próprio sobre situações e atitudes já bastante típicas, comuns, normais. Já sabemos que o café da manhã é a refeição mais importante do dia, que não devemos nos importar com o que os outros pensam, que ninguém devolve aquele troco que veio a mais. Somos levados a pensar coletivamente, ainda que não em prol do coletivo. Muitas vezes pensam por nós, e não conosco. O que não sabemos – ou convenientemente esquecemos – é que isso tudo, de tão normal, é doença. E tem nome: normose.
A normose não é o tipo de doença que seu médico vai diagnosticar. Até porque você não precisa de um médico para saber que, querendo ou não, sofre de normose. Em maior ou menor grau, todos sofremos. Jean Yves Leloup soprou que a característica comum a todas as formas de normose é seu caráter automático e inconsciente, o que de cara nos faz atentar ao nosso entorno. Quanto das nossas ações praticamos sem pensar muito, nivelando pelo senso comum? Leloup diz ainda que há uma crença bastante enraizada segundo a qual tudo o que a maioria das pessoas sente, acredita ou faz deve ser considerado normal. Parece que boa parte das pessoas vivas mundo afora segue isso bastante à risca em suas escolhas econômicas, políticas, gastronômicas, musicais, automobilísticas, dentre tantas outras. A hora é boa para questionar: será que faço parte disso?
A normose é uma doença de sintomas coletivos, sociais, não necessariamente refletidos em um indivíduo ou num estreito recorte de tempo. Ser condescendente com o sucesso de Justin Biebers, Katy Perrys e Michel Telós não reverte muito além do esperado: padrões baixos, composições repetitivas, relações vulgares, pobreza musical e, claro, mais normalidade. Novamente, nivelamos por baixo. A televisão é a máquina suprema do kuduro, do lê-lê-lê e de programas de auditório onde crianças sonham em viver um dia de empreguete. Tudo muito normal, claro. Por outro lado, basta dar uma olhada nos índices de escolaridade e interesse, nas recentes listas de brasileiros mais influentes… É fácil perceber que, na verdade, esses hábitos não têm consequências assim tão normais.
“Não é sinal de saúde estar adaptado a uma sociedade visivelmente doente”, disse Jiddu Krishnamurti.
Continuidade
E de tão normais que nos fazemos, percebemo-nos cópias. Não só na insônia e não só nos clubes da luta social mundo afora, tudo é uma cópia de uma cópia de uma cópia. Porque assim é fácil, rápido, indolor. Até que se prove o contrário. Por ora somos todos um, sorrindo e produzindo, testemunhando a falácia do empreendedorismo, a falácia da carreira, a alta do dólar, a consumação mínima, as 44h semanais de labuta, a fofoca onipresente, o fanfarrão da empresa, o desconto na folha, os concursos de beleza sub-10, o teatro do MMA…

Nenhum comentário:

Postar um comentário